
A Constituição federal, em seu artigo 5º, assegura a manifestação do pensamento, e admite como inviolável, a liberdade de consciência e de crença. Seria plausível então, inferir que o pensamento (ou expressão dele) não fosse considerado crime.
Vivemos em uma sociedade que não apenas quer controlar suas ações, mas também suas palavras, desejos e pensamentos. Em uma cultura de vitimização do criminoso, cada vez menos as pessoas são responsabilizadas por seus atos. O livre-arbítrio é desconsiderado, e o discurso incriminado.
Involuntários que são os desejos, não há sentido em julgá-los, tampouco. Uma pessoa que deseja algo hediondo, mas não o faz, não é um criminoso. Não controlamos nossas fantasias e vontades, mas somos soberanos de nossas ações.
Ideal seria uma liberdade irrestrita, em que, identificado crime de intolerância, o emissor seria moralmente julgado, não legalmente. Pois o discurso, por mais imoral que seja, não infere na sua liberdade de não agir.
Infelizmente, na conjuntura atual, há coisas sobre as quais não se pode falar, sob as penas da lei. O problema com essa política, é que os tópicos proibidos são circunstanciais e não claros. Permitindo que qualquer ideia contrária à de quem governa seja censurada.
É incongruente que os movimentos mais intolerantes com quem diverge de suas crenças, sejam os movimentos que defendem os direitos humanos, protestam quando um ladrão é amarrado a um poste, e se proclamam revolucionários. É como se um indivíduo merecesse mais direitos que outro.
Em suma, por mais errada que pareça uma ideia ou discurso, não existe alguém com autoridade para ditar o que é certo ou errado de se pensar. Devemos seguir nossos valores morais sem impor aos outros, humildemente aceitando que podemos estar errados.
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