segunda-feira, 10 de março de 2014

Não deixe comida no prato!

Hoje no restaurante da universidade, vi um casal devolvendo seus pratos com um desperdício absurdo de comida. E aquilo me incomodou. Poxa, a comida estava tão gostosa, por que tanto desperdício? Reparem que eles comeram bastante, o problema foi a quantidade que se serviram. Alguns vão dizer que é porque se cobra por pessoa então não há a preocupação com servir apenas o que vai comer. Mas eu não acredito nisso, pois restaurantes por pessoa pediriam falência por todo o Brasil. Pensei então que deve ser uma questão de educação. Se eu, quando criança, ouvia da minha mãe "Você só vai se levantar dessa mesa quando não tiver mais um grão de arroz nesse prato", hoje o discurso é "se você não está com vontade, não empurre". O que faz sentido, gastricamente falando, mas não ensina. O reforço negativo (no caso, comer sem vontade) é importante para que a ação não se repita. E reforço negativo é uma coisa cada vez mais rara de se ver hoje em dia. Claro que podem argumentar que deixar comida no prato não é algo tão grave assim e que a pessoa deve ter seus motivos. Mas pare e pense, na imagem que a nossa geração tem no mercado de trabalho hoje. De desistentes. Porque assim como esse prato de comida, não assumimos responsabilidade com o que nos propomos a fazer. Eu, ingressando em meu terceiro curso superior, inclusa. E os filhos de nossa geração, que já estão andando por aí, são crianças fracas. Porque não lhes é mais ensinado a fazer nada que lhes desagrade. E mesmo quando estão errados, os pais tomam seu lado. Seja brigando com um professor que disciplinou, seja falando para a própria criança que os outros estão errados.
Peço encarecidamente aos que são pais, que digam "não" a seus filhos e que lhes obriguem a fazer uma coisa ou outra. Isso vai prepará-los muito melhor para a vida.
É claro que muitos vão vir aqui e desqualificar tudo que eu falei pelo simples fato de eu não ter filhos. Mas eu convivo com os filhos de vocês. E eu não gosto muito deles.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Pela liberdade de ser imoral.

A Constituição federal, em seu artigo 5º, assegura a manifestação do pensamento, e admite como inviolável, a liberdade de consciência e de crença. Seria plausível então, inferir que o pensamento (ou expressão dele) não fosse considerado crime. Vivemos em uma sociedade que não apenas quer controlar suas ações, mas também suas palavras, desejos e pensamentos. Em uma cultura de vitimização do criminoso, cada vez menos as pessoas são responsabilizadas por seus atos. O livre-arbítrio é desconsiderado, e o discurso incriminado. Involuntários que são os desejos, não há sentido em julgá-los, tampouco. Uma pessoa que deseja algo hediondo, mas não o faz, não é um criminoso. Não controlamos nossas fantasias e vontades, mas somos soberanos de nossas ações. Ideal seria uma liberdade irrestrita, em que, identificado crime de intolerância, o emissor seria moralmente julgado, não legalmente. Pois o discurso, por mais imoral que seja, não infere na sua liberdade de não agir. Infelizmente, na conjuntura atual, há coisas sobre as quais não se pode falar, sob as penas da lei. O problema com essa política, é que os tópicos proibidos são circunstanciais e não claros. Permitindo que qualquer ideia contrária à de quem governa seja censurada. É incongruente que os movimentos mais intolerantes com quem diverge de suas crenças, sejam os movimentos que defendem os direitos humanos, protestam quando um ladrão é amarrado a um poste, e se proclamam revolucionários. É como se um indivíduo merecesse mais direitos que outro. Em suma, por mais errada que pareça uma ideia ou discurso, não existe alguém com autoridade para ditar o que é certo ou errado de se pensar. Devemos seguir nossos valores morais sem impor aos outros, humildemente aceitando que podemos estar errados.